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23 agosto, 2014

Cine Resenha: Laranja Mecânica


    Stanley Kubrick havia terminado de lançar um dos maiores clássicos do cinema, 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), e se firmava como um dos diretores mais expressivos de Hollywood. Mas, três anos depois, em 1971, ele confirmou o poder de sua arte no surpreendente filme Laranja Mecânica, que conta com Malcolm McDowell no papel principal em uma atuação única no cinema.

   



Filme: Laranja Mecânica
País/Ano: EUA / Reino Unido, 1971
Gênero: Drama, Ficção Científica, Distopia, Crime.
Duração: 136min
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Adrienne Corri, Miriam Karlim, entre outros.









    O filme é uma adaptação do romance homônimo do britânico Anthony Burgess, de 1962, figura presente nas listas dos grandes clássicos da literatura. Alex é aparentemente um jovem comum, com todos os problemas característicos da juventude, que leva durante o dia uma vida normal, sob os olhos vigilantes dos pais. À noite, entretanto, ele sofre uma completa metamorfose. Lidera uma gangue de vândalos que, vagando livremente pelas ruas da cidade, espalham um pouco da velha e boa violência. 


    Em uma dessas noites, eles invadem a casa de uma rica senhora que, sem que eles soubessem, havia chamado a polícia momentos antes. Quando Alex entra na residencia, a senhora tenta se defender, o que o leva a golpeá-la com um objeto semelhante à um falo gigante. Quando escuta as sirenes da polícia, o rapaz tenta fugir, mas um de seus amigos lhe acerta uma garrafa de leite na cara. Eles o abandonam caído e atordoado; há muito tempo estavam descontentes com a forma que Alex lhes impunham liderança. Alex é capturado e condenado a 14 anos de prisão por assassinato, já que a velha não sobrevivera ao golpe e morrera mais tarde no hospital.

     Mas, após dois anos de sentença e de comportamento exemplar,  o rapaz se oferece como cobaia para o tratamento Ludovico, um novo programa do governo que propõe a cura para a violência.


    Após o tratamento, Alex é liberado e posto de volta na sociedade. Ele é agora incapaz de agir com violência, de olhar lascivamente para uma mulher ou mesmo de escutar a 9ª Sinfonia de Beethoven. Seu corpo reage à esses elementos com enjoos, dores e convulsões. Entretanto, mesmo "curado", a sociedade fica relutante em aceitá-lo de volta; sua família não o recebe apropriadamente, o que leva Alex a ter que procurar outro lugar para morar. Além disso, ele reencontra velhos amigos e inimigos a quem havia ferido e humilhado em seus tempos de violência, e todos querem se vingar dele.



    Laranja Mecânica trabalha com vários temas. O filme, através dos olhos do anti-herói Alex, lança um olhar irônico sobre a sociedade e suas regras, suas leis. O personagem principal despreza tanto os marginalizados – mendigos, por exemplo – quanto os ricos. Sua forma de contestar é através da violência, seja ela física, moral ou verbal. 


    A questão moral é levantada em vários aspectos, seja na banalização da violência, seja no método utilizado para controlá-la. Afinal, vale a pena acabar com o livre-arbítrio de um indivíduo para controlar os seus instintos, a sua violência? Isso é cura ou controle? Esse é um dos debates que ocorrem dentro do próprio filme entre os defensores da cura e aqueles que se opõem a ela.

    A trilha sonora também é marcante. Depois de ver o filme, a pessoa nunca mais conseguirá ouvir Singing in the Rain ou a 9ª Sinfonia de Beethoven do mesmo jeito. O diretor Stanley Kubrick utiliza a música clássica em vários momentos, ilustrando cenas de violência, sexo e de abandono. Um uso característico da contra-cultura...

    O filme é um dos marcos da contra-cultura no cinema. Talvez por isso eu tenha relutado tanto em gostar dele; trata-se, afinal, de um gênero cuja função crítica, sarcástica e irônica não é compreendida por todos.  De qualquer forma, o filme é excelente e recheado de temas para reflexão. Para muitos, esse é o melhor filme do diretor, embora na minha opinião esse título será sempre de 2001 - Uma Odisseia no Espaço.


por Diego B. Oliveira





25 julho, 2013

Cine Resenha: Meia-Noite em Paris

    Você alguma vez já pensou que seria melhor se tivesse nascido em outra época?
    Eu já. Às vezes eu simplesmente paro e penso: isso não tá certo. Deu falha no sistema de entregas da cegonha e ela me entregou no século errado. (Também, trabalhando pro Correios, ela acabou perdendo a noção do tempo...)
    Woody Allen explora esse sentimento quase comum em um maravilhoso filme com Owen Wilson, Rachel McAdams e a encantadora Marion Cotillard. E o melhor de tudo: ele usa como plano de fundo Paris. A minha cidade preferida no mundo.







Filme: Meia-Noite em Paris
País/Ano: EUA/ Espanha , 2011
Gênero: Comédia
Duração: 94 min
Dirigido por Woody Allen com Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAddams, Tom Hiddleston, Adrien Brody, Michael Sheen e Alison Pill, entre outros.







    Gil é um roteirista de cinema americano que está tentando escrever seu primeiro livro. Seu sonho é morar em Paris, cidade que ele idolatra e que serviu de inspiração aos grandes escritores do passado. Mas sua noiva, Inez (que, aliás, é muito chata, embora Rachel continue sendo uma atriz adorável) quer construir a vida ali mesmo, nos Estados Unidos; além disso, ela insiste que ele dê mais atenção à renumerada carreira de roteirista do que a tolas ambições literárias.


    Acompanhados pelos pais da noiva, eles vão a Paris passar as férias. Gil se sente feliz, pois poderá andar pela cidade na chuva, entrar nas antigas lojas, respirar o mesmo ar que seus mestres respiraram... Enfim, ter inspiração para o seu livro. Mas quando chegam lá a história é outra. Mal botam os pés na cidade e já encontram com um antigo, exibido e pedante amigo de Inez. Encantada, a noiva logo marca em saírem todos juntos para um passeio pela cidade, o que na verdade é tudo que o escritor menos quer.

    E não demora muito para Gil se sentir insatisfeito; odeia os passeios com a noiva e com o amigo irritante. Certa noite, consegue se afastar deles e põe-se a andar sozinho pelas ruas da cidade. Quando dá meia-noite, passa um carro antigo e para na frente dele; seus ocupantes, animados, o convidam para ir à uma festa. Quando o escritor entra no carro, descobre que está na frente de Scott e Zelda Fitzgerald. 

    Assim, todas as noites, quando entra naquele carro, Gil é transportado para o passado, em 1920, onde acaba encontrando seus grandes ídolos: Ernest Hemingway, T. S. Elliot, Picasso, Dalí, Buñuel e muitos outros. E, nessas idas ao passado, acaba se encontrando e apaixonando por Adriana (interpretada pela belíssima Marion Cotillard), uma jovem mulher que sempre teve uma queda por artistas.


   Esse é o meu filme preferido do Woddy Allen; ainda não sei se é porque passa em Paris, ou se simplesmente porque fala de algo que eu já senti muito: a impressão de que se nasceu na época errada. Além do mais, a imagem do filme é incrível; as cenas de Paris fazem até quem nunca gostou da cidade sentir vontade de conhecê-la...

    Os personagens históricos são o maior trunfo do filme. Todos os atores conseguiram empregar um tom de humor e sátira às figuras caricatas dos escritores famosos, e eu destaco especialmente Tom Hiddleston (o Loki dos Vingadores) e Alison Pill na pele do casal Fitzgerald. Os dois tem uma química incrível, e mal eles aparecem no carro chamando Gil, a gente já sente uma enorme simpatia por eles.

    E o Ernest Hemingway é o grande coadjuvante dessa história. É até engraçado, porque nem parece que aquele personagem cativante e engraçado é o mesmo autor do melancólico livro O Velho e o Mar... Woody Allen como sempre surpreendendo. 

    Depois de ver esse filme, é normal que você fique louquinho para ir a Paris, esperando lá que um carro te pare e aquele escritor que você tanto gosta te convide para uma festa, em algum lugar do passado...

por Diego B. Oliveira

    

17 julho, 2013

Cine Resenha: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

     Após assistir a versão cinematográfica de O Código Da Vinci, acabei me apaixonando pela atriz Andrey Tatou, que interpreta Sophie Neveu no filme. Pesquisando a filmografia dela, descobri que ela já era internacionalmente famosa por interpretar a personagem-título de um filme de 2001 que eu nunca tinha ouvido falar: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. Curioso – e apaixonado - corri atrás do filme e procurei assisti-lo o mais rápido possível. E tive uma agradável surpresa.
     




Filme: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
País/Ano: França, 2001
Gênero: Comédia
Duração: 122 min
Dirigido por Jean-Pierre Jeunet, com Andrey Tatou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Lorella Cravolta, Serge Merlin e James Debbouze.






   O filme começa de forma interessantíssima, com o narrador apresentando vários acontecimentos simultâneos – e aparentemente irrelevantes – à fecundação do óvulo que originará Amelie. Após isso, mostra o crescimento da garota, seu relacionamento com os pais e sua vida monótona sem amigos. Uma das cenas mais legais do início do filme é quando o peixinho – único animal de estimação de Amelie –, deprimido, tenta se suicidar. E o pior é que ele não consegue! Tanto que a mãe da garota, cansada de toda aquela história, resolve jogá-lo fora no rio.


    Amelie mal tinha contato físico com o pai. Por isso todo mês, quando ele fazia exames nela, ficava nervosa com aquele mínimo toque e seu coração acelerava. Isso fez com que seus pais acreditassem que ela tinha uma rara anomalia no coração, e acabaram privando-a de frequentar a escola e ter contato com outras crianças. E, para completar, Amelie se vê obrigada a lidar com a repentina e prematura morte da mãe em um acidente nada convencional.

    Tudo isso influenciou fortemente o seu crescimento e a forma como via o mundo e as coisas; Amelie passou a viver em um mundo interior completamente seu. Quando cresce, muda-se para um bairro em Paris, onde começa a trabalhar como garçonete. Um dia, porém, descobre uma caixinha com brinquedos e figurinhas no banheiro da nova casa, e descobre ter pertencido a um dos antigos moradores. Amelie toma uma decisão que vai mudar sua vida: vai encontrar o ex-dono do objeto e lhe devolver o pertence.

    Esse é o pontapé inicial para um dos filmes mais bonitos que eu já vi. Como devem ter percebido, trata-se de uma obra bem simples, com uma temática leve e atraente. Então por que o filme é tão bom? Porque depois de assistir apenas vinte minutos dele, não tem como você não se apaixonar por Amelie Poulain.

    É uma personagem divertida e bastante esquisita. Não, ela não é uma aberração de filmes de comédia; é uma mulher atraente, com um sorriso simpático e um olhar simplesmente encantador. Aparenta ter uma inocência quase infantil, mas na verdade consegue captar pequenos detalhes da vida capazes de tornar quem os compreende completamente feliz.

    Amelie percebe no filme que seu destino é fazer os outros felizes. Isso através de atitudes simples, como devolver a um velho seu brinquedo de sua infância... Unindo com algumas poucas palavras um homem e uma mulher que se viam todos os dias... E se vingando de um feirante que era maldoso com seu ajudante. Mas tudo começa a se complicar quando ela conhece o amor e se descobre apaixonada

    O Fabuloso Destino de Amelie Poulain é delicioso, atraente e, é claro, emocionante. Eu nunca tinha visto nada parecido antes, um filme que com sua calma consegue agitar a nossa alma, nos fazendo sorrir toda vez que Amelie abre aquele lindo sorriso e nos agitar todas as vezes que ela apressa o passo, decidida.
    E quanto à Andrey Tatou?

    Olha, eu simplesmente amo essa atriz.

por Diego B. Oliveira