Stanley
Kubrick havia terminado de lançar um dos maiores clássicos do cinema, 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), e
se firmava como um dos diretores mais expressivos de Hollywood. Mas, três anos
depois, em 1971, ele confirmou o poder de sua arte no surpreendente filme Laranja Mecânica, que conta com Malcolm McDowell no papel principal em uma atuação única no cinema.
Filme: Laranja Mecânica
País/Ano: EUA / Reino Unido, 1971
Gênero: Drama, Ficção Científica, Distopia, Crime.
Duração: 136min
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Adrienne Corri, Miriam Karlim, entre outros.
O filme é
uma adaptação do romance homônimo do britânico Anthony Burgess, de 1962, figura
presente nas listas dos grandes clássicos da literatura. Alex é aparentemente
um jovem comum, com todos os problemas característicos da juventude, que leva
durante o dia uma vida normal, sob os olhos vigilantes dos pais. À noite,
entretanto, ele sofre uma completa metamorfose. Lidera uma gangue de vândalos
que, vagando livremente pelas ruas da cidade, espalham um pouco da velha e
boa violência.
Em uma dessas noites, eles invadem a casa de uma rica senhora que, sem que eles soubessem, havia chamado a polícia momentos antes. Quando Alex entra na residencia, a senhora tenta se defender, o que o leva a golpeá-la com um objeto semelhante à um falo gigante. Quando escuta as sirenes da polícia, o rapaz tenta fugir, mas um de seus amigos lhe acerta uma garrafa de leite na cara. Eles o abandonam caído e atordoado; há muito tempo estavam descontentes com a forma que Alex lhes impunham liderança. Alex é capturado e condenado a 14 anos de prisão por assassinato, já que a velha não sobrevivera ao golpe e morrera mais tarde no hospital.
Mas, após dois anos de sentença e de comportamento exemplar, o rapaz se oferece como cobaia para o tratamento Ludovico, um novo programa do governo que propõe a cura para a violência.
Após o tratamento, Alex é liberado e posto de volta na sociedade. Ele é agora incapaz de agir com violência, de olhar lascivamente para uma mulher ou mesmo de escutar a 9ª Sinfonia de Beethoven. Seu corpo reage à esses elementos com enjoos, dores e convulsões. Entretanto, mesmo "curado", a sociedade fica relutante em aceitá-lo de volta; sua família não o recebe apropriadamente, o que leva Alex a ter que procurar outro lugar para morar. Além disso, ele reencontra velhos amigos e inimigos a quem havia ferido e humilhado em seus tempos de violência, e todos querem se vingar dele.
Laranja Mecânica trabalha com vários temas. O filme, através dos olhos do anti-herói Alex, lança um olhar irônico sobre a sociedade e suas regras, suas leis. O personagem principal despreza tanto os marginalizados – mendigos, por exemplo – quanto os ricos. Sua forma de contestar é através da violência, seja ela física, moral ou verbal.
A questão moral é levantada em vários aspectos, seja na banalização da violência, seja no método utilizado para controlá-la. Afinal, vale a pena acabar com o livre-arbítrio de um indivíduo para controlar os seus instintos, a sua violência? Isso é cura ou controle? Esse é um dos debates que ocorrem dentro do próprio filme entre os defensores da cura e aqueles que se opõem a ela.
A trilha sonora também é marcante. Depois de ver o filme, a pessoa nunca mais conseguirá ouvir Singing in the Rain ou a 9ª Sinfonia de Beethoven do mesmo jeito. O diretor Stanley Kubrick utiliza a música clássica em vários momentos, ilustrando cenas de violência, sexo e de abandono. Um uso característico da contra-cultura...
O filme é um dos marcos da contra-cultura no cinema. Talvez por isso eu tenha relutado tanto em gostar dele; trata-se, afinal, de um gênero cuja função crítica, sarcástica e irônica não é compreendida por todos. De qualquer forma, o filme é excelente e recheado de temas para reflexão. Para muitos, esse é o melhor filme do diretor, embora na minha opinião esse título será sempre de 2001 - Uma Odisseia no Espaço.
Laranja Mecânica trabalha com vários temas. O filme, através dos olhos do anti-herói Alex, lança um olhar irônico sobre a sociedade e suas regras, suas leis. O personagem principal despreza tanto os marginalizados – mendigos, por exemplo – quanto os ricos. Sua forma de contestar é através da violência, seja ela física, moral ou verbal.
A questão moral é levantada em vários aspectos, seja na banalização da violência, seja no método utilizado para controlá-la. Afinal, vale a pena acabar com o livre-arbítrio de um indivíduo para controlar os seus instintos, a sua violência? Isso é cura ou controle? Esse é um dos debates que ocorrem dentro do próprio filme entre os defensores da cura e aqueles que se opõem a ela.
A trilha sonora também é marcante. Depois de ver o filme, a pessoa nunca mais conseguirá ouvir Singing in the Rain ou a 9ª Sinfonia de Beethoven do mesmo jeito. O diretor Stanley Kubrick utiliza a música clássica em vários momentos, ilustrando cenas de violência, sexo e de abandono. Um uso característico da contra-cultura...
O filme é um dos marcos da contra-cultura no cinema. Talvez por isso eu tenha relutado tanto em gostar dele; trata-se, afinal, de um gênero cuja função crítica, sarcástica e irônica não é compreendida por todos. De qualquer forma, o filme é excelente e recheado de temas para reflexão. Para muitos, esse é o melhor filme do diretor, embora na minha opinião esse título será sempre de 2001 - Uma Odisseia no Espaço.
por Diego B. Oliveira









