Eu já tinha falado aqui o quanto admirava Alma Cervantes por ser um escritor jovem e talentoso, e isso sem ter lido seu livro. Mas agora que li... Bem, se eu fizesse agora um top 10 de autores nacionais preferidos, adivinha quem estaria entre eles? Então, bora conferir essa resenha.
Autor: Alma Cervantes
Editora: Novo Século
Páginas: 248
Nota do Peças: 5/5
Alex, Alice e Rebeca são grandes amigos e decidem se reencontrar depois de alguns anos sem se verem. O lugar escolhido é o hotel dos pais de Alex, mas o que parecia uma viagem especial, repleta de conversas agradáveis e descontraídas com os outros hóspedes durante o jantar se transforma, em seguida, num pesadelo. Quando os três se preparam para dormir, ouvem batidas desesperadas à porta e seguem ao salão, onde logo descobrem que o cozinheiro fora assassinado. Com a comoção, somada à dificuldade de fuga devido à tempestade e névoa lá fora, a confusão logo se instala no hotel, além de um desagradável clima de suspeita entre os hóspedes. Tensão. A revelação de um detetive. E um desfecho surpreendente.
“Tensão. A Revelação de um detetive. E um desfecho surpreendente”.
A noite começa bastante agradável; os amigos põem os assuntos em dia, têm um belíssimo jantar e, logo após, jogam cartas na companhia de alguns dos poucos hóspedes do hotel. Mas, quando os três vão para os quartos e se preparam para dormir, as luzes se apagam repentinamente e batidas desesperadas se ouvem nas portas. Ao descerem para o salão do hotel, onde todos os hóspedes foram reunidos urgentemente, descobrem que houve um assassinato: Victor, o cozinheiro, acabara de ser encontrado morto na cozinha.
Para complicar a situação, uma tempestade desaba lá fora; nenhum carro está funcionando e a linha telefônica foi cortada. Resumindo: estão todos presos no hotel, com um homem morto na cozinha e um perigoso assassino provavelmente solto entre eles. Todos passam a ser suspeitos do crime; é então que Frederica, uma das hóspedes, toma o controle da situação e começa a investigar e a interrogar cada um ali presente. E assim o fascinante livro de Alma Cervantes começa a se desenrolar, de forma inteligente e brilhante.
Juro que o que vou dizer é verdade, mas esse foi o melhor romance policial nacional que eu já li. Pra começar, ele não me deixou dormir; fui terminar de lê-lo às 5 da manhã! Quando estava chegando às últimas páginas, fui obrigado a meter um murro no despertador; afinal, eu já estava acordado, e ele estava atrapalhando minha leitura...
Eu geralmente me orgulho de sempre adivinhar quem é o verdadeiro criminoso antes do fim da história. E, realmente, suspeitei terrivelmente de dois personagens ao longo do livro. Tinha tanta certeza de que era um deles que, na hora da revelação, quase caí da cama: eu nunca estivera tão errado em minha vida! A promessa de um desfecho surpreendente foi habilmente cumprida.
O clima de suspense, mistério e mesmo de terror percorre todo o livro; o autor acaba desenvolvendo o lado psicológico dos personagens, mostrando a forma como eles reagem ao medo, à dor e à perca. Ora ou outra, você percebe a voz de Alma Cervantes dentro de um personagem, dizendo o pensamento do autor sobre alguns assuntos delicados ou mesmo polêmicos. A obra também traz alguns aspectos bastantes curiosos. Alice, por exemplo, não é o nome de uma mulher, e sim o de um rapaz, que o destino quis que recebesse um nome bastante incomum.
Eu consegui gostar de tudo nesse livro: desde o seu título bastante sugestivo até ao ritmo vertiginoso que o autor traz à história. Acabei me apaixonando pela detetive e seu jeito calmo e atraente, por aquele hotel grande e ao mesmo tempo macabro, pelas piadinhas sem graças de um dos empregados e pelo jeito extremamente pomposo de outro. Só achei um pouco cansativo quando algumas informações se repetiam durante os depoimentos. Mas isso acontece de jeito tão rápido que não atrapalha em nada a fluência e o estilo cativador do livro.
Foi tudo tão legal que eu realmente gostaria de ver novos livros do autor seguindo essa mesma linha. Afinal, se tem uma coisa que Se Arrependimento Matasse teve de sobra foi um bom detetive, e um detetive daqueles que merecem ser perpetuados em muitas e muitas outras histórias.
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por Diego B. Oliveira


